Acordou. Era a manifestação da
consciência num corpo metálico. Cheirava à ferrugem. E no começo seus
movimentos estavam fortemente limitados.
Encontrava-se confuso em um local escuro, forçosamente
abriu uma fenda na parte superior do que seria um de seus membros. Uma grande
lente esverdeada com círculos concêntricos vermelhos fora revelada. Sentiu-se
50% completo.
Água corria por entre as rochas localizadas em sua
proximidade. O líquido que fluía tinha aspecto sanguinolento, mas por certo era
apenas o barro que se misturava com a água e era iluminado pela luz que
atravessava as tortuosas paredes cobertas de fissuras e pequenas aberturas.
Agora tentava por em movimento seu membro o qual surgia a
grande lente. Sentiu que algo pareceu querer fender. Insistiu. Dobrou-se. A
ferrugem agora parecia se quebrar. Pequenos, imperfeitos e finos fragmentos se
soltaram de sua armadura. Por baixo desta emergia um belo brilho que
contrastava com o resto do corpo ainda coberto.
Raízes estavam penduradas acima de sua lente. Estáticas.
Algumas destas o atacavam compartilhando umidade com sua pele enferrujada.
Tentando se mover, as raízes provocavam faíscas em seu
corpo de forma amorfa. A cada faísca podia sentir o repuxar da totalidade de
sua carcaça. Isto lhe fez sentir-se agora 70% completo.
Sua lente principal, pois agora descobrira duas outras
que compartilhavam um mesmo membro, girava em torno de si mesma. Um incômodo
ruído era gerado conforme era feita sua rotação. Descobriu agora 8 semicircuitos
que eram capazes de captar a variação de pressão do ar ao seu redor e
interpretar em forma de som. — Bip... Bip..., assim fazia uma luz encontrada em
seu tronco, o qual era responsável pelo ligamento de todas suas partes móveis.
O som tornou-lhe 80% completo.
Conforme cascas negras e partes de metal velho
desprendiam de sua carcaça, por estar exercendo tamanha força, ganhava
estabilidade e movimento. No começo a gravidade lhe assustou, mas agora
aprendia a utiliza-la a seu favor.
Partículas de ar passavam por entre fendas localizadas
abaixo de sua lente principal. Seu sistema lhe dava um relatório completo a
respeito da atmosfera que estava ao seu redor. Sentia-se 87% completo.
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Com cada vez mais mobilidade, seus membros movimentavam
seu disforme tronco metálico.
A seu lado observava, com suas 3 lentes, pedaços de metal disforme unidos, semelhantes aos que compunham a si mesmo. Tocou-o com seus membros e obteve algumas poucas variações elétricas. Tocou-o novamente enquanto sua lente principal apontava para o centro da carcaça do maquinário estirado ao chão. Então, por entre todo àquele amontoado metálico, uma grande esfera opaca brilhou e cessou imediatamente.
-Artur Rinaldi
-Artur Rinaldi

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