O amanhecer se desdobra,
Depois de uma noite tempestuosa
Espessa, emaranhados galhos,
Nuvens e vazio
De um ponto esquecido,
De uma sensação esquisita
Grita em meu peito,
A voz que emana da janela
Do lado de fora, pequenos seres
Todos tão miúdos, entreolham
Para minha esquecida pessoa inerte
Mas um em especial me escolheu
O bico enegrecido, os olhos pertinentes,
E pés tortos, um para cada lado,
penugem azul e rala,
Trazia consigo
Um presente a um amigo
Murmurou em meu ouvido:
Voe e veja que somente eu vejo
Não posso seguir contigo,
Não posso lhe mostrar o caminho,
Tome este par de asas,
Que eu tomarei teu lugar na janela
E eu com um par de
Frágeis asas surradas
Decolei no mundo
E eu com um coração
Apertado
voei rumo ao desconhecido
A estranha coisa chamada tempo passou,
E eu retornei a janela
Mas não pude reconhecê-la
Já não era mais eu e então
nem a mesma janela
E o pássaro era agora a ilusão
De um triste pedaço de ser humano
Na sua segura prisão
E agora, eu apenas lamento,
Apenas posso imagina-lo
Com seus tristes olhos
Da sua janela a me amaldiçoar
-Artur Rinaldi
Créditos da imagem: THE RAVEN by Diane Pike
segunda-feira, 23 de outubro de 2017
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
[POEMA] A Caldeira
Fervo neste mundo
Como a caldeira que cozinha
A minha comida
O caldo da vida
Que coze a carne dos animais
Da fauna, da flora
Que devora
O mineral da panela
A madeira da fogueira
Os olhos dos famintos
Que devoram o apetite
Que abraçam a pressa
Da ansiedade da fome
O fogo eterno, queima
Carne, osso, planta
Faz parte desse caldo
A ignorância e a caridade
O egoísmo e a sabedoria
A lama, a água
O fogo, o cristal
Nenhum mais ou menos importante
Todos no seu devido lugar
E como um nômade
Que se auto sustenta
No final, tu irá sorver
A sopa de ti mesmo
-Artur Rinaldi
Créditos da imagem: Frank Grau
Como a caldeira que cozinha
A minha comida
O caldo da vida
Que coze a carne dos animais
Da fauna, da flora
Que devora
O mineral da panela
A madeira da fogueira
Os olhos dos famintos
Que devoram o apetite
Que abraçam a pressa
Da ansiedade da fome
O fogo eterno, queima
Carne, osso, planta
Faz parte desse caldo
A ignorância e a caridade
O egoísmo e a sabedoria
A lama, a água
O fogo, o cristal
Nenhum mais ou menos importante
Todos no seu devido lugar
E como um nômade
Que se auto sustenta
No final, tu irá sorver
A sopa de ti mesmo
-Artur Rinaldi
Créditos da imagem: Frank Grau
terça-feira, 17 de outubro de 2017
[POEMA] Além, além, além
E quando chegar ao além,
Depois das altas nuvens
Cortadas por edifícios
E bem aventuradas aves
Nesse céu que era infinito
Cortado, rajado pelo
Febril e amarelado Sol
Tu vais a montanha,
Toca o mais alto cume
E gritas desesperado
Por socorro
Vislumbrado
Mal vestido
Já não importa
Então agora tu tocas,
Vê, cheira e move
Fisicamente transfere
Tua energia ao objeto
É curioso, manso,
Dócil, espesso e profundo
E se da conta,
De que teu desamparo
Só pode ser
A mais pura forma de liberdade!
E se da conta de que,
Desejando ou não,
Já viveu e morreu
E agora morto tu vive
-Artur Rinaldi
Créditos da imagem:
Take A Breath by Barbara Teller
Depois das altas nuvens
Cortadas por edifícios
E bem aventuradas aves
Nesse céu que era infinito
Cortado, rajado pelo
Febril e amarelado Sol
Tu vais a montanha,
Toca o mais alto cume
E gritas desesperado
Por socorro
Vislumbrado
Mal vestido
Já não importa
Então agora tu tocas,
Vê, cheira e move
Fisicamente transfere
Tua energia ao objeto
É curioso, manso,
Dócil, espesso e profundo
E se da conta,
De que teu desamparo
Só pode ser
A mais pura forma de liberdade!
E se da conta de que,
Desejando ou não,
Já viveu e morreu
E agora morto tu vive
-Artur Rinaldi
Créditos da imagem:
Take A Breath by Barbara Teller
sexta-feira, 6 de outubro de 2017
[POEMA] Chá Açucarado
Um bom dia pela manhã
pelo copo de vidro suado,
Talvez uma boa tarde
com o metálico queimando teus dedos,
e certamente uma boa noite
com copo de madeira,
Confortável, certeiro!
O aroma das folhas,
Ervas ou raízes,
Que impregna o ar,
O som da água no fogo
E a pressa do ansioso
Em beber tal iguaria
Há quem estrague o chá,
E adiciona açúcar, e
Há quem não estraga,
E bebe a essência na pura água.
Já bebeu teu chá hoje?
-Artur Rinaldi
Créditos da Imagem: Henriette Ronner - Knip
[?] A Criança, A Escada, O Adulto, A Criança
Há um salão de tamanho infinito,
Cercada por paredes indefinidas
Cobertas por nuvens e
Um piso feito de espelhos
Nesse palco, já descrito,
Há também uma criança,
Totalmente despida e
Com o o corpo formado de energia
Nessa mesma sala há uma escada,
E veja só! A criança já a encontrou,
E como parte de uma brincadeira
Se põe a escalar os degraus
A criança escorrega e cai,
É projetada contra o chão
Já no primeiro degrau,
E chora arduamente
Agora, depois de um tempo
A criança já encontra
O primeiro patamar,
Nesse lugar ela sente
Algo que chama de medo
Continua a subir,
Meio perdida, e guiada
Por ilusão
E depois do medo, ela não percebe,
Mas já não é mais criança
O jovem sobe mais devagar e
Com receio, não tão ativo,
E com poucas, mas
Muito muito doloridas quedas,
Nota, somente agora,
que não é mais criança
Já agora se encontra
No próximo patamar,
E tão tardiamente,
Percebeu-se não mais
Como criança, já deixa de ser jovem,
Sente algo que chama de ansiar,
E torna-se adulto,
Mas sem tomar plena ciência
O adulto constrói corrimãos,
E tem muito receio de subir,
Aliás, o adulto não quer subir!
É medroso, rancoroso, orgulhoso,
Diz que já basta,
Que chegou onde poderia,
Mas olhando para trás vê o nada,
Não há mais o chão,
Há apenas alguns poucos
degraus visíveis, e névoa
Que cobre todo o resto,
De baixo a cima
Já não tem certeza se algum dia
Ouve o céu ou o chão
Não lembre-se do sol ou da terra
E não pode chorar, pois
Suas lágrimas secaram,
Restou o vazio, e as pernas bambas,
Mas o vazio tornou-se maior que
O medo de ficar parado
E relutante pisa no primeiro degrau,
Coberto totalmente de musgo.
O pé escorrega, a mão segura
No frágil corrimão,
Que se quebra,
E ele despenca e cai ao chão,
Bate o corpo, violentamente,
E as vísceras são expostas,
Está totalmente desfigurado.
O piso é feito de um mosaico,
Composto por espelhos quebrados
Além do corpo, há um piano,
Uma mesa de estudos,
Uma cama, um pai e uma mãe
Tudo coberto de lodo,
Na sala infinita
As paredes imaginárias são
Formadas por tempestade
E o corpo apodrece
Mas em algum momento
o corpo entra em trabalho
De parto, e por entre
O intestino estragado,
E o estômago estourado
Aparece um bebê
Engatinhando para fora,
Como vítima de uma
Natural cesariana
O bebê consome a carne do corpo
E logo se torna uma criança
A criança olha ao seu redor,
Vê a escada e, sem se iludir
Sequer por um único pensamento,
Põe se a escalar
Logo cai, chora,
E volta
E vê um patamar,
Alcança o patamar
O patamar é formado de espelhos
Mas não se vê refletido em
Nenhum deles
Algo toma conta de seu corpo,
E
Não sabes se tem um corpo
Sólido,
E
a criança de carne torna-se
Um outro tipo de humano,
Não um jovem, adulto ou velho,
Pelo que poderíamos julgar,
Mas um humano de energia
Bom agora não há nem mais a escada,
A sala, o palco, o salão,
Nem corrimão;
Nem a criança, o jovem,
O velho ou o adulto,
Não há nem mesmo a coisa
E razoavelmente,
não há nem mesmo o nada.
-Artur Rinaldi
Créditos da imagem: Greek Stairs, oil painting on canvas by Yvonne Wagner. Making boring, beautiful.
Cercada por paredes indefinidas
Cobertas por nuvens e
Um piso feito de espelhos
Nesse palco, já descrito,
Há também uma criança,
Totalmente despida e
Com o o corpo formado de energia
Nessa mesma sala há uma escada,
E veja só! A criança já a encontrou,
E como parte de uma brincadeira
Se põe a escalar os degraus
A criança escorrega e cai,
É projetada contra o chão
Já no primeiro degrau,
E chora arduamente
Agora, depois de um tempo
A criança já encontra
O primeiro patamar,
Nesse lugar ela sente
Algo que chama de medo
Continua a subir,
Meio perdida, e guiada
Por ilusão
E depois do medo, ela não percebe,
Mas já não é mais criança
O jovem sobe mais devagar e
Com receio, não tão ativo,
E com poucas, mas
Muito muito doloridas quedas,
Nota, somente agora,
que não é mais criança
Já agora se encontra
No próximo patamar,
E tão tardiamente,
Percebeu-se não mais
Como criança, já deixa de ser jovem,
Sente algo que chama de ansiar,
E torna-se adulto,
Mas sem tomar plena ciência
O adulto constrói corrimãos,
E tem muito receio de subir,
Aliás, o adulto não quer subir!
É medroso, rancoroso, orgulhoso,
Diz que já basta,
Que chegou onde poderia,
Mas olhando para trás vê o nada,
Não há mais o chão,
Há apenas alguns poucos
degraus visíveis, e névoa
Que cobre todo o resto,
De baixo a cima
Já não tem certeza se algum dia
Ouve o céu ou o chão
Não lembre-se do sol ou da terra
E não pode chorar, pois
Suas lágrimas secaram,
Restou o vazio, e as pernas bambas,
Mas o vazio tornou-se maior que
O medo de ficar parado
E relutante pisa no primeiro degrau,
Coberto totalmente de musgo.
O pé escorrega, a mão segura
No frágil corrimão,
Que se quebra,
E ele despenca e cai ao chão,
Bate o corpo, violentamente,
E as vísceras são expostas,
Está totalmente desfigurado.
O piso é feito de um mosaico,
Composto por espelhos quebrados
Além do corpo, há um piano,
Uma mesa de estudos,
Uma cama, um pai e uma mãe
Tudo coberto de lodo,
Na sala infinita
As paredes imaginárias são
Formadas por tempestade
E o corpo apodrece
Mas em algum momento
o corpo entra em trabalho
De parto, e por entre
O intestino estragado,
E o estômago estourado
Aparece um bebê
Engatinhando para fora,
Como vítima de uma
Natural cesariana
O bebê consome a carne do corpo
E logo se torna uma criança
A criança olha ao seu redor,
Vê a escada e, sem se iludir
Sequer por um único pensamento,
Põe se a escalar
Logo cai, chora,
E volta
E vê um patamar,
Alcança o patamar
O patamar é formado de espelhos
Mas não se vê refletido em
Nenhum deles
Algo toma conta de seu corpo,
E
Não sabes se tem um corpo
Sólido,
E
a criança de carne torna-se
Um outro tipo de humano,
Não um jovem, adulto ou velho,
Pelo que poderíamos julgar,
Mas um humano de energia
Bom agora não há nem mais a escada,
A sala, o palco, o salão,
Nem corrimão;
Nem a criança, o jovem,
O velho ou o adulto,
Não há nem mesmo a coisa
E razoavelmente,
não há nem mesmo o nada.
-Artur Rinaldi
Créditos da imagem: Greek Stairs, oil painting on canvas by Yvonne Wagner. Making boring, beautiful.
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