Medo constante de não ouvir as palavras de outrem. Vertigem, aflição, pânico! Angústia retida como nó no peito, prestes a explodir!
Uma distante realidade, tão difícil de se obter e mesmo ingratamente que a tratem como um presente pouco desejado, ainda assim atinge como uma flecha num corpo desnudo. Distante sim, pois veja só: talvez acredite que isto a que chama, erroneamente, solidão seja um quarto escuro com um ente a chorar e o piso frio nos pés descalços; ou então a falta de verdadeiros amigos, como espíritos divinos a lhe consolar. Ou seu par que o abandone um dia?
Que sorte a nossa fosse tão fácil estar a sós!
Imagina só, que mesmo estando isolado em tua angústia, ainda haveria alguém a lhe encontrar…
Tu ainda farias teu caminho até a padaria para comprar teu pão. Ainda encontraria o porteiro a te aguardar, teria teus longínquos contatos a te cutucar. Veste? Não é tão fácil estar a sós! Requer energia, espírito, confiança, liderança e inteligência.
Estar realmente num estado de solitude é para poucos.
Requer sabedoria para manter a ti mesmo limpo dos alvoroços de teu pensamento. Energia para controlar teu abrigo das feras que te seguiriam. Água talvez viria do céu, mas a comida seria por tua conta.
O teu verdadeiro medo é o de nunca ser capaz de ouvir a si mesmo. Vertigem, aflição, pânico menos do que da própria solidão do que das divisões ilusórias da casa que não percebeu e a angústia é do ar que talvez nunca chegará a beber.
Texto por Artur Rinaldi.
quinta-feira, 21 de dezembro de 2017
segunda-feira, 27 de novembro de 2017
[POEMA] Dia de Chuva
Porquanto a chuva cair,
O tempo tende a parar
O coração balança ritmado
No peito que estava afogado
O pé pisa no chão molhado
E forma no chão um mapa
De um lado para o outro se cruzam
As pegadas no chão molhado
Os acordes esquecidos do piano
A melodia dos talheres na cozinha
As vozes do vento na cortina
E o tempero do silêncio
Esse corpo aqui atirado,
Em lençóis floridos,
Está agora livre para tratar
Dos assuntos que
Apenas num dia de chuva
Se pode considerar
O tempo tende a parar
O coração balança ritmado
No peito que estava afogado
O pé pisa no chão molhado
E forma no chão um mapa
De um lado para o outro se cruzam
As pegadas no chão molhado
Os acordes esquecidos do piano
A melodia dos talheres na cozinha
As vozes do vento na cortina
E o tempero do silêncio
Esse corpo aqui atirado,
Em lençóis floridos,
Está agora livre para tratar
Dos assuntos que
Apenas num dia de chuva
Se pode considerar
domingo, 26 de novembro de 2017
[Reflexão] A Importância dos Terraplanistas
Há alguns anos surgiu um pequeno grupo de pessoas que se denominam terraplanistas (Flat Earth Society).
Colocando a prova nossa capacidade de julgamento, eles vieram para um bem maior do que a maioria poderia imaginar.
Em pleno 2017 seria insano julgar a Terra, como sendo plana e não esférica (sim, nosso planeta). Mas é exatamente isso o que esse grupo de pessoas estão colocando em discussão.
A maioria das pessoas lúcidas atacam os terraplanistas com argumentos hora muito bem elaborados, hora nem tanto. Hora atacam não apenas as teorias, mas o humano terraplanista. Poucos são os que defendem e acreditam verdadeiramente na teoria comentada.
Mas há algo por trás disso tudo e que ninguém comenta.
Há um disputa de dualidade, ou seja, uma divisão bilateral de opiniões que nos fazem crer que há apenas dois lados a serem defendidos: os que acreditam na teoria e os que não acreditam.
Esse é um fato sólido que não é visto de maneira clara e que é a chave central de toda essa confusão. Dessa luta entre opostos.
Mas por que é que esse conflito todo é tão importante?
A importância maior não é saber se a terra é plana, esférica ou quadrada, mas sim resgatar o senso crítico do homem do século XXI.
Tal homem que se julga tão avançado e evoluído por suas tecnologias, mas que é incapaz de captar fatos e pensar por conta própria.
Indo mais além, os terraplanistas são uma das ferramentas mais bem elaboradas dos últimos anos para trazer um pouco de reflexão a cada homem e para resgatar o espírito do observador e explorador que hoje hiberna em nós.
Então pense muito bem antes de julgar um fato de maneira rasa, pois além de dois lados sempre há a possibilidade de ver o conflito como um todo. E esse é o verdadeiro propósito de um terraplanista.
segunda-feira, 23 de outubro de 2017
[POEMA] A Janela do Tempo
O amanhecer se desdobra,
Depois de uma noite tempestuosa
Espessa, emaranhados galhos,
Nuvens e vazio
De um ponto esquecido,
De uma sensação esquisita
Grita em meu peito,
A voz que emana da janela
Do lado de fora, pequenos seres
Todos tão miúdos, entreolham
Para minha esquecida pessoa inerte
Mas um em especial me escolheu
O bico enegrecido, os olhos pertinentes,
E pés tortos, um para cada lado,
penugem azul e rala,
Trazia consigo
Um presente a um amigo
Murmurou em meu ouvido:
Voe e veja que somente eu vejo
Não posso seguir contigo,
Não posso lhe mostrar o caminho,
Tome este par de asas,
Que eu tomarei teu lugar na janela
E eu com um par de
Frágeis asas surradas
Decolei no mundo
E eu com um coração
Apertado
voei rumo ao desconhecido
A estranha coisa chamada tempo passou,
E eu retornei a janela
Mas não pude reconhecê-la
Já não era mais eu e então
nem a mesma janela
E o pássaro era agora a ilusão
De um triste pedaço de ser humano
Na sua segura prisão
E agora, eu apenas lamento,
Apenas posso imagina-lo
Com seus tristes olhos
Da sua janela a me amaldiçoar
-Artur Rinaldi
Créditos da imagem: THE RAVEN by Diane Pike
Depois de uma noite tempestuosa
Espessa, emaranhados galhos,
Nuvens e vazio
De um ponto esquecido,
De uma sensação esquisita
Grita em meu peito,
A voz que emana da janela
Do lado de fora, pequenos seres
Todos tão miúdos, entreolham
Para minha esquecida pessoa inerte
Mas um em especial me escolheu
O bico enegrecido, os olhos pertinentes,
E pés tortos, um para cada lado,
penugem azul e rala,
Trazia consigo
Um presente a um amigo
Murmurou em meu ouvido:
Voe e veja que somente eu vejo
Não posso seguir contigo,
Não posso lhe mostrar o caminho,
Tome este par de asas,
Que eu tomarei teu lugar na janela
E eu com um par de
Frágeis asas surradas
Decolei no mundo
E eu com um coração
Apertado
voei rumo ao desconhecido
A estranha coisa chamada tempo passou,
E eu retornei a janela
Mas não pude reconhecê-la
Já não era mais eu e então
nem a mesma janela
E o pássaro era agora a ilusão
De um triste pedaço de ser humano
Na sua segura prisão
E agora, eu apenas lamento,
Apenas posso imagina-lo
Com seus tristes olhos
Da sua janela a me amaldiçoar
-Artur Rinaldi
Créditos da imagem: THE RAVEN by Diane Pike
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
[POEMA] A Caldeira
Fervo neste mundo
Como a caldeira que cozinha
A minha comida
O caldo da vida
Que coze a carne dos animais
Da fauna, da flora
Que devora
O mineral da panela
A madeira da fogueira
Os olhos dos famintos
Que devoram o apetite
Que abraçam a pressa
Da ansiedade da fome
O fogo eterno, queima
Carne, osso, planta
Faz parte desse caldo
A ignorância e a caridade
O egoísmo e a sabedoria
A lama, a água
O fogo, o cristal
Nenhum mais ou menos importante
Todos no seu devido lugar
E como um nômade
Que se auto sustenta
No final, tu irá sorver
A sopa de ti mesmo
-Artur Rinaldi
Créditos da imagem: Frank Grau
Como a caldeira que cozinha
A minha comida
O caldo da vida
Que coze a carne dos animais
Da fauna, da flora
Que devora
O mineral da panela
A madeira da fogueira
Os olhos dos famintos
Que devoram o apetite
Que abraçam a pressa
Da ansiedade da fome
O fogo eterno, queima
Carne, osso, planta
Faz parte desse caldo
A ignorância e a caridade
O egoísmo e a sabedoria
A lama, a água
O fogo, o cristal
Nenhum mais ou menos importante
Todos no seu devido lugar
E como um nômade
Que se auto sustenta
No final, tu irá sorver
A sopa de ti mesmo
-Artur Rinaldi
Créditos da imagem: Frank Grau
terça-feira, 17 de outubro de 2017
[POEMA] Além, além, além
E quando chegar ao além,
Depois das altas nuvens
Cortadas por edifícios
E bem aventuradas aves
Nesse céu que era infinito
Cortado, rajado pelo
Febril e amarelado Sol
Tu vais a montanha,
Toca o mais alto cume
E gritas desesperado
Por socorro
Vislumbrado
Mal vestido
Já não importa
Então agora tu tocas,
Vê, cheira e move
Fisicamente transfere
Tua energia ao objeto
É curioso, manso,
Dócil, espesso e profundo
E se da conta,
De que teu desamparo
Só pode ser
A mais pura forma de liberdade!
E se da conta de que,
Desejando ou não,
Já viveu e morreu
E agora morto tu vive
-Artur Rinaldi
Créditos da imagem:
Take A Breath by Barbara Teller
Depois das altas nuvens
Cortadas por edifícios
E bem aventuradas aves
Nesse céu que era infinito
Cortado, rajado pelo
Febril e amarelado Sol
Tu vais a montanha,
Toca o mais alto cume
E gritas desesperado
Por socorro
Vislumbrado
Mal vestido
Já não importa
Então agora tu tocas,
Vê, cheira e move
Fisicamente transfere
Tua energia ao objeto
É curioso, manso,
Dócil, espesso e profundo
E se da conta,
De que teu desamparo
Só pode ser
A mais pura forma de liberdade!
E se da conta de que,
Desejando ou não,
Já viveu e morreu
E agora morto tu vive
-Artur Rinaldi
Créditos da imagem:
Take A Breath by Barbara Teller
sexta-feira, 6 de outubro de 2017
[POEMA] Chá Açucarado
Um bom dia pela manhã
pelo copo de vidro suado,
Talvez uma boa tarde
com o metálico queimando teus dedos,
e certamente uma boa noite
com copo de madeira,
Confortável, certeiro!
O aroma das folhas,
Ervas ou raízes,
Que impregna o ar,
O som da água no fogo
E a pressa do ansioso
Em beber tal iguaria
Há quem estrague o chá,
E adiciona açúcar, e
Há quem não estraga,
E bebe a essência na pura água.
Já bebeu teu chá hoje?
-Artur Rinaldi
Créditos da Imagem: Henriette Ronner - Knip
[?] A Criança, A Escada, O Adulto, A Criança
Há um salão de tamanho infinito,
Cercada por paredes indefinidas
Cobertas por nuvens e
Um piso feito de espelhos
Nesse palco, já descrito,
Há também uma criança,
Totalmente despida e
Com o o corpo formado de energia
Nessa mesma sala há uma escada,
E veja só! A criança já a encontrou,
E como parte de uma brincadeira
Se põe a escalar os degraus
A criança escorrega e cai,
É projetada contra o chão
Já no primeiro degrau,
E chora arduamente
Agora, depois de um tempo
A criança já encontra
O primeiro patamar,
Nesse lugar ela sente
Algo que chama de medo
Continua a subir,
Meio perdida, e guiada
Por ilusão
E depois do medo, ela não percebe,
Mas já não é mais criança
O jovem sobe mais devagar e
Com receio, não tão ativo,
E com poucas, mas
Muito muito doloridas quedas,
Nota, somente agora,
que não é mais criança
Já agora se encontra
No próximo patamar,
E tão tardiamente,
Percebeu-se não mais
Como criança, já deixa de ser jovem,
Sente algo que chama de ansiar,
E torna-se adulto,
Mas sem tomar plena ciência
O adulto constrói corrimãos,
E tem muito receio de subir,
Aliás, o adulto não quer subir!
É medroso, rancoroso, orgulhoso,
Diz que já basta,
Que chegou onde poderia,
Mas olhando para trás vê o nada,
Não há mais o chão,
Há apenas alguns poucos
degraus visíveis, e névoa
Que cobre todo o resto,
De baixo a cima
Já não tem certeza se algum dia
Ouve o céu ou o chão
Não lembre-se do sol ou da terra
E não pode chorar, pois
Suas lágrimas secaram,
Restou o vazio, e as pernas bambas,
Mas o vazio tornou-se maior que
O medo de ficar parado
E relutante pisa no primeiro degrau,
Coberto totalmente de musgo.
O pé escorrega, a mão segura
No frágil corrimão,
Que se quebra,
E ele despenca e cai ao chão,
Bate o corpo, violentamente,
E as vísceras são expostas,
Está totalmente desfigurado.
O piso é feito de um mosaico,
Composto por espelhos quebrados
Além do corpo, há um piano,
Uma mesa de estudos,
Uma cama, um pai e uma mãe
Tudo coberto de lodo,
Na sala infinita
As paredes imaginárias são
Formadas por tempestade
E o corpo apodrece
Mas em algum momento
o corpo entra em trabalho
De parto, e por entre
O intestino estragado,
E o estômago estourado
Aparece um bebê
Engatinhando para fora,
Como vítima de uma
Natural cesariana
O bebê consome a carne do corpo
E logo se torna uma criança
A criança olha ao seu redor,
Vê a escada e, sem se iludir
Sequer por um único pensamento,
Põe se a escalar
Logo cai, chora,
E volta
E vê um patamar,
Alcança o patamar
O patamar é formado de espelhos
Mas não se vê refletido em
Nenhum deles
Algo toma conta de seu corpo,
E
Não sabes se tem um corpo
Sólido,
E
a criança de carne torna-se
Um outro tipo de humano,
Não um jovem, adulto ou velho,
Pelo que poderíamos julgar,
Mas um humano de energia
Bom agora não há nem mais a escada,
A sala, o palco, o salão,
Nem corrimão;
Nem a criança, o jovem,
O velho ou o adulto,
Não há nem mesmo a coisa
E razoavelmente,
não há nem mesmo o nada.
-Artur Rinaldi
Créditos da imagem: Greek Stairs, oil painting on canvas by Yvonne Wagner. Making boring, beautiful.
Cercada por paredes indefinidas
Cobertas por nuvens e
Um piso feito de espelhos
Nesse palco, já descrito,
Há também uma criança,
Totalmente despida e
Com o o corpo formado de energia
Nessa mesma sala há uma escada,
E veja só! A criança já a encontrou,
E como parte de uma brincadeira
Se põe a escalar os degraus
A criança escorrega e cai,
É projetada contra o chão
Já no primeiro degrau,
E chora arduamente
Agora, depois de um tempo
A criança já encontra
O primeiro patamar,
Nesse lugar ela sente
Algo que chama de medo
Continua a subir,
Meio perdida, e guiada
Por ilusão
E depois do medo, ela não percebe,
Mas já não é mais criança
O jovem sobe mais devagar e
Com receio, não tão ativo,
E com poucas, mas
Muito muito doloridas quedas,
Nota, somente agora,
que não é mais criança
Já agora se encontra
No próximo patamar,
E tão tardiamente,
Percebeu-se não mais
Como criança, já deixa de ser jovem,
Sente algo que chama de ansiar,
E torna-se adulto,
Mas sem tomar plena ciência
O adulto constrói corrimãos,
E tem muito receio de subir,
Aliás, o adulto não quer subir!
É medroso, rancoroso, orgulhoso,
Diz que já basta,
Que chegou onde poderia,
Mas olhando para trás vê o nada,
Não há mais o chão,
Há apenas alguns poucos
degraus visíveis, e névoa
Que cobre todo o resto,
De baixo a cima
Já não tem certeza se algum dia
Ouve o céu ou o chão
Não lembre-se do sol ou da terra
E não pode chorar, pois
Suas lágrimas secaram,
Restou o vazio, e as pernas bambas,
Mas o vazio tornou-se maior que
O medo de ficar parado
E relutante pisa no primeiro degrau,
Coberto totalmente de musgo.
O pé escorrega, a mão segura
No frágil corrimão,
Que se quebra,
E ele despenca e cai ao chão,
Bate o corpo, violentamente,
E as vísceras são expostas,
Está totalmente desfigurado.
O piso é feito de um mosaico,
Composto por espelhos quebrados
Além do corpo, há um piano,
Uma mesa de estudos,
Uma cama, um pai e uma mãe
Tudo coberto de lodo,
Na sala infinita
As paredes imaginárias são
Formadas por tempestade
E o corpo apodrece
Mas em algum momento
o corpo entra em trabalho
De parto, e por entre
O intestino estragado,
E o estômago estourado
Aparece um bebê
Engatinhando para fora,
Como vítima de uma
Natural cesariana
O bebê consome a carne do corpo
E logo se torna uma criança
A criança olha ao seu redor,
Vê a escada e, sem se iludir
Sequer por um único pensamento,
Põe se a escalar
Logo cai, chora,
E volta
E vê um patamar,
Alcança o patamar
O patamar é formado de espelhos
Mas não se vê refletido em
Nenhum deles
Algo toma conta de seu corpo,
E
Não sabes se tem um corpo
Sólido,
E
a criança de carne torna-se
Um outro tipo de humano,
Não um jovem, adulto ou velho,
Pelo que poderíamos julgar,
Mas um humano de energia
Bom agora não há nem mais a escada,
A sala, o palco, o salão,
Nem corrimão;
Nem a criança, o jovem,
O velho ou o adulto,
Não há nem mesmo a coisa
E razoavelmente,
não há nem mesmo o nada.
-Artur Rinaldi
Créditos da imagem: Greek Stairs, oil painting on canvas by Yvonne Wagner. Making boring, beautiful.
sexta-feira, 29 de setembro de 2017
[POEMA] Promessa ao Mar
Comprometo-me, comigo mesmo,
A ser leal com meus sonhos,
Designar todo o tempo necessário
Para tornar a mim mesmo
Difundir o impalpável desejo
Da curiosidade da vida terrena,
E também a momentânea abstrata
E a seguir, de mar em mar,
Sempre na proa de meu navio,
Com mãos firmes,
mas ao mesmo tempo
maleáveis, silenciosas e sutis
De modo a poder sempre escutar
Da quebra das ondas
Ao gorjear das gaivotas,
Tão distante quanto estiverem
Em meio a nuvens espessas
Ou pousadas no timão
De minha embarcação
E um dia ei-me de com terra encontrar,
E a tempestade não há de, por muito, prolongar
Caso um dia o vento em meu rosto soprar,
E como os braços de minha donzela
Me abraçar
Ainda assim não irei te abandonar
Nostálgica tempestade,
Que por tanto me amparou
E muito menos o mar,
Que antes me salgou,
Mas agora me ensina,
A tornar-lhe meu abrigo
E portanto, quando à terra retornar,
Prometo voltar sempre ao mar
-Artur Rinaldi
Créditos da imagem: Seagulls Over the Ocean Waves - Taylor
A ser leal com meus sonhos,
Designar todo o tempo necessário
Para tornar a mim mesmo
Difundir o impalpável desejo
Da curiosidade da vida terrena,
E também a momentânea abstrata
E a seguir, de mar em mar,
Sempre na proa de meu navio,
Com mãos firmes,
mas ao mesmo tempo
maleáveis, silenciosas e sutis
De modo a poder sempre escutar
Da quebra das ondas
Ao gorjear das gaivotas,
Tão distante quanto estiverem
Em meio a nuvens espessas
Ou pousadas no timão
De minha embarcação
E um dia ei-me de com terra encontrar,
E a tempestade não há de, por muito, prolongar
Caso um dia o vento em meu rosto soprar,
E como os braços de minha donzela
Me abraçar
Ainda assim não irei te abandonar
Nostálgica tempestade,
Que por tanto me amparou
E muito menos o mar,
Que antes me salgou,
Mas agora me ensina,
A tornar-lhe meu abrigo
E portanto, quando à terra retornar,
Prometo voltar sempre ao mar
-Artur Rinaldi
Créditos da imagem: Seagulls Over the Ocean Waves - Taylor
[POEMA] Da Matéria ao Espaço
O corpo levanta,
A alma lhe persegue
E segue por quanto
Ele caminhar
Retira-se dos aposentos
Em direção ao pátio vítreo
Alma oca, corpo inteiriço
Uma borboleta pousa
Em seu ombro nu
O corpo repele,
A alma intercede
Segue floresta adentro,
O corpo já suado, cansado,
Enfadado, e a alma
Límpida, cristalina
Escuta os sinos longe a soar
Pedregulhos no caminho
Machucam os pés
Pedregulhos no caminho
Tocam e acariciam a alma
O ar espesso e úmido
Afoga o corpo
Mas encharca a alma
em alegrias e contentamento
Segue agora de volta a sua casa
Corpo e alma,
Um vazio, o outro vasto
O que para um fora uma jornada
Para o outro uma dança,
Mas aos dois uma grande aventura
O corpo se deita, a alma persiste
Insiste em ver, mas o espaço
O corpo não pode ver e nem tocar,
E já sendo assim, nem a alma pode,
Aquilo que o corpo não toca,
viver
Corpo e alma agora uno
Perfeitos, ligados
Moldados pelo intocável vazio
- Artur Rinaldi
Créditos da imagem: Soul of Dance by Narendra Sharma
A alma lhe persegue
E segue por quanto
Ele caminhar
Retira-se dos aposentos
Em direção ao pátio vítreo
Alma oca, corpo inteiriço
Uma borboleta pousa
Em seu ombro nu
O corpo repele,
A alma intercede
Segue floresta adentro,
O corpo já suado, cansado,
Enfadado, e a alma
Límpida, cristalina
Escuta os sinos longe a soar
Pedregulhos no caminho
Machucam os pés
Pedregulhos no caminho
Tocam e acariciam a alma
O ar espesso e úmido
Afoga o corpo
Mas encharca a alma
em alegrias e contentamento
Segue agora de volta a sua casa
Corpo e alma,
Um vazio, o outro vasto
O que para um fora uma jornada
Para o outro uma dança,
Mas aos dois uma grande aventura
O corpo se deita, a alma persiste
Insiste em ver, mas o espaço
O corpo não pode ver e nem tocar,
E já sendo assim, nem a alma pode,
Aquilo que o corpo não toca,
viver
Corpo e alma agora uno
Perfeitos, ligados
Moldados pelo intocável vazio
- Artur Rinaldi
Créditos da imagem: Soul of Dance by Narendra Sharma
segunda-feira, 25 de setembro de 2017
[POEMA] A Lamúria do Vento
Sou como uma estrela,
Como o Sol,
O Sol na escuridão profunda
Eu ilumino teu caminho,
Mas eu mesmo não
me benefício de minha própria luz
Sou como um farol
Numa ilha distante
Eu toco a tua retina
A mil nós
Sou guia dos teus passos
Mas eu mesmo não tenho pés
Sou como uma bússola,
Atraída pelo magnetismo
Posso te levar a qualquer lugar
Mas não tenho significado
para mim mesma
Sou como a caravela,
Com as velas içadas ao vento
Te levo e te engano,
Não sei para onde vou
Nem de onde partir
Sou como o vento,
Venho de longe,
Tem empurro, te trago
Venho com boas e más notícias
Mas não sei o que sou
Nem para onde vou,
E tu te enganas,
Se achas que faz bem
em me seguir, pois
apenas
sou,
apenas
vou.
-Artur Rinaldi
Como o Sol,
O Sol na escuridão profunda
Eu ilumino teu caminho,
Mas eu mesmo não
me benefício de minha própria luz
Sou como um farol
Numa ilha distante
Eu toco a tua retina
A mil nós
Sou guia dos teus passos
Mas eu mesmo não tenho pés
Sou como uma bússola,
Atraída pelo magnetismo
Posso te levar a qualquer lugar
Mas não tenho significado
para mim mesma
Sou como a caravela,
Com as velas içadas ao vento
Te levo e te engano,
Não sei para onde vou
Nem de onde partir
Sou como o vento,
Venho de longe,
Tem empurro, te trago
Venho com boas e más notícias
Mas não sei o que sou
Nem para onde vou,
E tu te enganas,
Se achas que faz bem
em me seguir, pois
apenas
sou,
apenas
vou.
-Artur Rinaldi
Créditos da imagem: A Favorable Wind by Paul Bond
domingo, 24 de setembro de 2017
[POEMA] Claridade
Brilho natural
De natureza espontânea
Da pele alva, do dente doente
Escárnio, dilúvio, corrente
Torpe sensação ascendente
Brilho mordaz, de um tipo fugaz
Que não entrega, e nem esconde
Se cala, mas responde
Dos traços já aleijados
Do ar pesado
Brilho da razão embotada,
Gasta, estagnada
Uma pequena lagoa,
Cheia de animaizinhos
Um pequeno capricho
Brilho de horror,
Do abatedouro da paz
Do tudo e do abismo
Da aurora que não se cansa
Mas sempre mansa
Brilho astuto, maduro,
Do buda das mil mentes
Que arde, e nunca se rende
Sempre assim,
Caminho do oriente
Brilho anil, da estrela
Que era, pois partiu,
Da noite, agora profunda,
Natural, mordaz e embotada
em horror
-Artur Rinaldi
Créditos da imagem: Arise Shine by Gary Rowell
De natureza espontânea
Da pele alva, do dente doente
Escárnio, dilúvio, corrente
Torpe sensação ascendente
Brilho mordaz, de um tipo fugaz
Que não entrega, e nem esconde
Se cala, mas responde
Dos traços já aleijados
Do ar pesado
Brilho da razão embotada,
Gasta, estagnada
Uma pequena lagoa,
Cheia de animaizinhos
Um pequeno capricho
Brilho de horror,
Do abatedouro da paz
Do tudo e do abismo
Da aurora que não se cansa
Mas sempre mansa
Brilho astuto, maduro,
Do buda das mil mentes
Que arde, e nunca se rende
Sempre assim,
Caminho do oriente
Brilho anil, da estrela
Que era, pois partiu,
Da noite, agora profunda,
Natural, mordaz e embotada
em horror
-Artur Rinaldi
Créditos da imagem: Arise Shine by Gary Rowell
[POEMA] Vertigem do vértice
Aonde irão me levar,
Essas ondas arredondadas
Assimétricas, livremente moldadas
Rumo a via do leite
Translúcidos e amargos
Anéis de ar
Em dedos amadeirados
Retorcidos vãos esculpidos
A sombra do luar
Ilhas d'água que refletem no ar
Tragam a brisa, e os ventos do amanhã
Tão logo quanto puder,
Traga também o orvalho
Para sorver alegria
Traz-me também a ti
Eleve o suor,
Em emaranhados fios de cabelo
Tece a alma
Entre este e outros mundos,
Entre esta e outras tortuosas curvas,
O elíptico transfigura as redomas
Que enobrece a vã ilusão
Do senhor ao servo
Do céu ao féu
Da ideia à derrota
Da fuga da ação
E o pé que toca
A nua poesia
Numa batida do coração
No terremoto pós sermão
Troquemos o vidro translúcido,
Pela água pluvial
Não tão límpida, mas mesmo assim
Como um cristal cheio de vida
E vitrifiqueis a tua essência
Tira do brejo teus calcanhares
Coloque-os na lama,
E depois na terra,
Na pedra fria, tomada pelo limbo
Há de pisar, no chão de sal
Na brasa da terra
Na areia da praia,
E na praia do deserto
Pisa e galga-os, firme
Então já podes ver,
Tudo é vazio, a tua liberdade,
Antes moldada ilusão
Põe-te, agora, a escalar
a escadaria
A escadaria de ar
-Artur Rinaldi
Essas ondas arredondadas
Assimétricas, livremente moldadas
Rumo a via do leite
Translúcidos e amargos
Anéis de ar
Em dedos amadeirados
Retorcidos vãos esculpidos
A sombra do luar
Ilhas d'água que refletem no ar
Tragam a brisa, e os ventos do amanhã
Tão logo quanto puder,
Traga também o orvalho
Para sorver alegria
Traz-me também a ti
Eleve o suor,
Em emaranhados fios de cabelo
Tece a alma
Entre este e outros mundos,
Entre esta e outras tortuosas curvas,
O elíptico transfigura as redomas
Que enobrece a vã ilusão
Do senhor ao servo
Do céu ao féu
Da ideia à derrota
Da fuga da ação
E o pé que toca
A nua poesia
Numa batida do coração
No terremoto pós sermão
Troquemos o vidro translúcido,
Pela água pluvial
Não tão límpida, mas mesmo assim
Como um cristal cheio de vida
E vitrifiqueis a tua essência
Tira do brejo teus calcanhares
Coloque-os na lama,
E depois na terra,
Na pedra fria, tomada pelo limbo
Há de pisar, no chão de sal
Na brasa da terra
Na areia da praia,
E na praia do deserto
Pisa e galga-os, firme
Então já podes ver,
Tudo é vazio, a tua liberdade,
Antes moldada ilusão
Põe-te, agora, a escalar
a escadaria
A escadaria de ar
-Artur Rinaldi
Créditos da imagem: Untitled by Lee Bontecou 1960 | Chicago, Collage and Paintings
sexta-feira, 1 de setembro de 2017
[POEMA] Bagagens
Hoje, me desfiz
de minhas bagagens
Estava na estação,
Eram quinze para as dez
E, já conseguindo ouvir
O metálico som dos motores,
Que anunciava o início
De mais uma jornada
Optei pelo que julguei mais sensato,
Larguei a bagagem,
Tirei do bolso um pedaço de papel
E me pus rapidamente a escrever:
"Vá com Deus"
Bem, é como eu já disse,
Hoje, me desfiz de minhas bagagens
Optei por uma outra viagem
E já estava tudo certo
Para mais uma de minhas viagens:
Roupas, sapatos, um lanchinho.
Optei por um outro caminho
Coloquei o papel em cima da mala e
Embarquei-a no bagageiro
Deixei o trem me levar,
Mas do lado de fora,
E assim que não pude mais vê-lo
Eu sabia que havia chegado.
A vazia estação, onde antes, eu partiria
agora se tornara meu destino
-Artur Rinaldi
Créditos da imagem: Two Suitcases With Financial Statements by Tilly Strauss
de minhas bagagens
Estava na estação,
Eram quinze para as dez
E, já conseguindo ouvir
O metálico som dos motores,
Que anunciava o início
De mais uma jornada
Optei pelo que julguei mais sensato,
Larguei a bagagem,
Tirei do bolso um pedaço de papel
E me pus rapidamente a escrever:
"Vá com Deus"
Bem, é como eu já disse,
Hoje, me desfiz de minhas bagagens
Optei por uma outra viagem
E já estava tudo certo
Para mais uma de minhas viagens:
Roupas, sapatos, um lanchinho.
Optei por um outro caminho
Coloquei o papel em cima da mala e
Embarquei-a no bagageiro
Deixei o trem me levar,
Mas do lado de fora,
E assim que não pude mais vê-lo
Eu sabia que havia chegado.
A vazia estação, onde antes, eu partiria
agora se tornara meu destino
-Artur Rinaldi
segunda-feira, 21 de agosto de 2017
[Texto] MESSIER ( ∑ - 1 )
Acordou. Era a manifestação da
consciência num corpo metálico. Cheirava à ferrugem. E no começo seus
movimentos estavam fortemente limitados.
Encontrava-se confuso em um local escuro, forçosamente
abriu uma fenda na parte superior do que seria um de seus membros. Uma grande
lente esverdeada com círculos concêntricos vermelhos fora revelada. Sentiu-se
50% completo.
Água corria por entre as rochas localizadas em sua
proximidade. O líquido que fluía tinha aspecto sanguinolento, mas por certo era
apenas o barro que se misturava com a água e era iluminado pela luz que
atravessava as tortuosas paredes cobertas de fissuras e pequenas aberturas.
Agora tentava por em movimento seu membro o qual surgia a
grande lente. Sentiu que algo pareceu querer fender. Insistiu. Dobrou-se. A
ferrugem agora parecia se quebrar. Pequenos, imperfeitos e finos fragmentos se
soltaram de sua armadura. Por baixo desta emergia um belo brilho que
contrastava com o resto do corpo ainda coberto.
Raízes estavam penduradas acima de sua lente. Estáticas.
Algumas destas o atacavam compartilhando umidade com sua pele enferrujada.
Tentando se mover, as raízes provocavam faíscas em seu
corpo de forma amorfa. A cada faísca podia sentir o repuxar da totalidade de
sua carcaça. Isto lhe fez sentir-se agora 70% completo.
Sua lente principal, pois agora descobrira duas outras
que compartilhavam um mesmo membro, girava em torno de si mesma. Um incômodo
ruído era gerado conforme era feita sua rotação. Descobriu agora 8 semicircuitos
que eram capazes de captar a variação de pressão do ar ao seu redor e
interpretar em forma de som. — Bip... Bip..., assim fazia uma luz encontrada em
seu tronco, o qual era responsável pelo ligamento de todas suas partes móveis.
O som tornou-lhe 80% completo.
Conforme cascas negras e partes de metal velho
desprendiam de sua carcaça, por estar exercendo tamanha força, ganhava
estabilidade e movimento. No começo a gravidade lhe assustou, mas agora
aprendia a utiliza-la a seu favor.
Partículas de ar passavam por entre fendas localizadas
abaixo de sua lente principal. Seu sistema lhe dava um relatório completo a
respeito da atmosfera que estava ao seu redor. Sentia-se 87% completo.
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Com cada vez mais mobilidade, seus membros movimentavam
seu disforme tronco metálico.
A seu lado observava, com suas 3 lentes, pedaços de metal disforme unidos, semelhantes aos que compunham a si mesmo. Tocou-o com seus membros e obteve algumas poucas variações elétricas. Tocou-o novamente enquanto sua lente principal apontava para o centro da carcaça do maquinário estirado ao chão. Então, por entre todo àquele amontoado metálico, uma grande esfera opaca brilhou e cessou imediatamente.
-Artur Rinaldi
-Artur Rinaldi
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