quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Ensaio Sobre a Solidão

     Medo constante de não ouvir as palavras de outrem. Vertigem, aflição, pânico! Angústia retida como nó no peito, prestes a explodir!
     Uma distante realidade, tão difícil de se obter e mesmo ingratamente que a tratem como um presente pouco desejado, ainda assim atinge como uma flecha num corpo desnudo. Distante sim, pois veja só: talvez acredite que isto a que chama, erroneamente, solidão seja um quarto escuro com um ente a chorar e o piso frio nos pés descalços; ou então a falta de verdadeiros amigos, como espíritos divinos a lhe consolar. Ou seu par que o abandone um dia?
     Que sorte a nossa fosse tão fácil estar a sós!
Imagina só, que mesmo estando isolado em tua angústia, ainda haveria alguém a lhe encontrar…
     Tu ainda farias teu caminho até a padaria para comprar teu pão. Ainda encontraria o porteiro a te aguardar, teria teus longínquos contatos a te cutucar. Veste? Não é tão fácil estar a sós! Requer energia, espírito, confiança, liderança e inteligência.
Estar realmente num estado de solitude é para poucos.
      Requer sabedoria para manter a ti mesmo limpo dos alvoroços de teu pensamento. Energia para controlar teu abrigo das feras que te seguiriam. Água talvez viria do céu, mas a comida seria por tua conta.
     O teu verdadeiro medo é o de nunca ser capaz de ouvir a si mesmo. Vertigem, aflição, pânico menos do que da própria solidão do que das divisões ilusórias da casa que não percebeu e a angústia é do ar que talvez nunca chegará a beber.

Texto por Artur Rinaldi.



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