Estou mirando em um alvo
E sei: vou com certeza falhar
Os olhos estão fixos
O vento sopra calmamente
O arco flexionado pelo braço,
Os dedos firmes e vou errar
A platéia, com milhares de pessoas,
Que aos poucos estão indo embora
O chão é bom, firme, sólido
O barro bem batido,
Mas o alvo
Eu vou errar
Enquanto escuto a música,
O rufar dos tambores,
Minha visão torna-se turva,
Talvez haja lama em meu olhar
Atrás de mim há uma tempestade que passou,
À minha frente,
O alvo,
E depois uma montanha a ser escalada
Sei que mesmo acertando o alvo,
Após já ter atravessado a tempestade,
Eu ainda teria um monte à transpor,
Não estou abalado pela montanha,
Muito menos pelo alvo,
A platéia me cheira a ovo podre,
E não me intimida tanto,
Mas se o alvo eu acertar, sei que terei me enganado
Se eu não acertar, também mirei errado
Então estou eu aqui parado,
Olhos vidrados, flecha afiada
E enquanto houver uma multidão a me olhar
Meu arco estará flexionado,
Minha flecha apontada,
E decisão tomada
Poema por: Artur Rinaldi
Imagem por: Japanese Archery Painting - Zanshin by Hiroko Sakai

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