quinta-feira, 22 de março de 2018

[POEMA] Festa na Praia

Ao longe, nas terras que abandonei,
Escuto o rufar de tambores
A música da ilha rompe o silêncio da noite
Minha pequena jangada não esta preparada,
Embora "não estar preparada" seja talvez
O mesmo que estar

O mar é uma fusão entre
As águas doces da terra firme
E as salgadas águas do oceano
O qual me traga e me cospe

Meu inquieto coração
Percebe apenas duas cores
A se contorcer aos pés da jangada:
Vermelho e azul

O braço da península se estira
Diante de minha pálida face
E profundos olhos
Como se implorasse por minha volta
"Não há volta, e mesmo que houvesse
Por certo que não voltaria"

A festa na praia, apesar de mais
E mais distante, me parece cada vez mais nítida
"Como se meus pensamentos estivessem na ilha
E meu coração na jangada"

De repente sou golpeado na face
Por um soco salgado
Um golpe de Netuno
Água invade minha pequena embarcação

Levo certo tempo para me recuperar
E abaixo de mim, sob a luz do luar
Uma poça, dentro do barquinho,
Torvelinhos à dançar
e pequenos animaizinhos a nadar
Mais um soco na face

Aturdido não me encontro mais
Dentro de meu pequeno refúgio
Mas ao invés de terror,
Por estar por si só
Entregue as águas,
uma outra sensação
Percorre o meu corpo
E estando prestes a afundar…

"Eu sou o rei do mar"

Poema por: Artur Rinaldi

Imagem por: Whirlwind Abstract Painting - Liz W Art Gallery

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