sexta-feira, 29 de setembro de 2017

[POEMA] Da Matéria ao Espaço

O corpo levanta,
A alma lhe persegue
E segue por quanto
Ele caminhar
Retira-se dos aposentos
Em direção ao pátio vítreo

Alma oca, corpo inteiriço

Uma borboleta pousa
Em seu ombro nu
O corpo repele,
A alma intercede

Segue floresta adentro,
O corpo já suado, cansado,
Enfadado, e a alma
Límpida, cristalina
Escuta os sinos longe a soar

Pedregulhos no caminho
Machucam os pés
Pedregulhos no caminho
Tocam e acariciam a alma
O ar espesso e úmido
Afoga o corpo
Mas encharca a alma
em alegrias e contentamento

Segue agora de volta a sua casa
Corpo e alma,
Um vazio, o outro vasto

O que para um fora uma jornada
Para o outro uma dança,
Mas aos dois uma grande aventura

O corpo se deita, a alma persiste
Insiste em ver, mas o espaço
O corpo não pode ver e nem tocar,
E já sendo assim, nem a alma pode,
Aquilo que o corpo não toca,
viver

Corpo e alma agora uno
Perfeitos, ligados
Moldados pelo intocável vazio

- Artur Rinaldi


Créditos da imagem: Soul of Dance by Narendra Sharma


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