domingo, 24 de setembro de 2017

[POEMA] Claridade

Brilho natural
De natureza espontânea
Da pele alva, do dente doente
Escárnio, dilúvio, corrente
Torpe sensação ascendente

Brilho mordaz, de um tipo fugaz
Que não entrega, e nem esconde
Se cala, mas responde
Dos traços já aleijados
Do ar pesado

Brilho da razão embotada,
Gasta, estagnada
Uma pequena lagoa,
Cheia de animaizinhos
Um pequeno capricho

Brilho de horror,
Do abatedouro da paz
Do tudo e do abismo
Da aurora que não se cansa
Mas sempre mansa

Brilho astuto, maduro,
Do buda das mil mentes
Que arde, e nunca se rende
Sempre assim,
Caminho do oriente

Brilho anil, da estrela
Que era, pois partiu,
Da noite, agora profunda,
Natural, mordaz e embotada
em horror

-Artur Rinaldi




Créditos da imagem: Arise Shine by Gary Rowell


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