Essas ondas arredondadas
Assimétricas, livremente moldadas
Rumo a via do leite
Translúcidos e amargos
Anéis de ar
Em dedos amadeirados
Retorcidos vãos esculpidos
A sombra do luar
Ilhas d'água que refletem no ar
Tragam a brisa, e os ventos do amanhã
Tão logo quanto puder,
Traga também o orvalho
Para sorver alegria
Traz-me também a ti
Eleve o suor,
Em emaranhados fios de cabelo
Tece a alma
Entre este e outros mundos,
Entre esta e outras tortuosas curvas,
O elíptico transfigura as redomas
Que enobrece a vã ilusão
Do senhor ao servo
Do céu ao féu
Da ideia à derrota
Da fuga da ação
E o pé que toca
A nua poesia
Numa batida do coração
No terremoto pós sermão
Troquemos o vidro translúcido,
Pela água pluvial
Não tão límpida, mas mesmo assim
Como um cristal cheio de vida
E vitrifiqueis a tua essência
Tira do brejo teus calcanhares
Coloque-os na lama,
E depois na terra,
Na pedra fria, tomada pelo limbo
Há de pisar, no chão de sal
Na brasa da terra
Na areia da praia,
E na praia do deserto
Pisa e galga-os, firme
Então já podes ver,
Tudo é vazio, a tua liberdade,
Antes moldada ilusão
Põe-te, agora, a escalar
a escadaria
A escadaria de ar
-Artur Rinaldi
Créditos da imagem: Untitled by Lee Bontecou 1960 | Chicago, Collage and Paintings

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