segunda-feira, 23 de outubro de 2017

[POEMA] A Janela do Tempo

O amanhecer se desdobra,
Depois de uma noite tempestuosa
Espessa, emaranhados galhos,
Nuvens e vazio

De um ponto esquecido,
De uma sensação esquisita
Grita em meu peito,
A voz que emana da janela

Do lado de fora, pequenos seres
Todos tão miúdos, entreolham
Para minha esquecida pessoa inerte
Mas um em especial me escolheu

O bico enegrecido, os olhos pertinentes,
E pés tortos, um para cada lado,
penugem azul e rala,
Trazia consigo
Um presente a um amigo

Murmurou em meu ouvido:
Voe e veja que somente eu vejo
Não posso seguir contigo,
Não posso lhe mostrar o caminho,
Tome este par de asas,
Que eu tomarei teu lugar na janela

E eu com um par de
Frágeis asas surradas
Decolei no mundo
E eu com um coração
Apertado
voei rumo ao desconhecido

A estranha coisa chamada tempo passou,
E eu retornei a janela
Mas não pude reconhecê-la
Já não era mais eu e então
nem a mesma janela
E o pássaro era agora a ilusão
De um triste pedaço de ser humano
Na sua segura prisão

E agora, eu apenas lamento,
Apenas posso imagina-lo
Com seus tristes olhos
Da sua janela a me amaldiçoar

-Artur Rinaldi


Créditos da imagem: THE RAVEN by Diane Pike

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