terça-feira, 17 de outubro de 2017

[POEMA] Além, além, além

E quando chegar ao além,
Depois das altas nuvens
Cortadas por edifícios
E bem aventuradas aves

Nesse céu que era infinito
Cortado, rajado pelo
Febril e amarelado Sol

Tu vais a montanha,
Toca o mais alto cume
E gritas desesperado
Por socorro

Vislumbrado
Mal vestido
Já não importa

Então agora tu tocas,
Vê, cheira e move
Fisicamente transfere
Tua energia ao objeto

É curioso, manso,
Dócil, espesso e profundo

E se da conta,
De que teu desamparo
Só pode ser
A mais pura forma de liberdade!

E se da conta de que,
Desejando ou não,
Já viveu e morreu
E agora morto tu vive

-Artur Rinaldi



Créditos da imagem:
Take A Breath by Barbara Teller



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