Quando a luz tornar-se escassa
E os as vias da vida, escuras
O chão tornar-se-á mais palpável
A umidade subirá pelos pés
Encontrando calcanhares
E logo o ar entorpecerá teu corpo
Instável estrutura, agora nua
Preparada para a ação
e para esculpir a vida
Tu sentes agora os dentes
Das pedras que compõem
O chão frio, as nervuras das ruas
Os galhos ao solo
As folhas, pequenas ervas,
Cacos e barro
E cada vez mais há
Menos necessidade da luminosidade
A luz se tornara empecilho
E qualquer pequeno feixe,
Cada pequena fagulha de energia
Fere os olhos, a alma, a calma
Tu te tornaste como uma grande bateria
Uma coisa que emite luz
E energia por natureza própria
Uma pilha que necessita
Da alternância frequente dos pólos
Para funcionar
E a pilha são dois, mas ao mesmo tempo
Ela é apenas ela mesma, e também
Não o é, pois a pilha é o invisível
Intocável, impalpável
Tu és
A harmonia toda em funcionamento
O abstrato que da vida a estrutura
O conjunto que consome a si mesmo
E que alimenta a máquina do absurdo
Poema por: Artur Rinaldi
Imagens por:
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